O mínimo que você precisa saber para não se um idiota


Uma reunião de várias colunas publicadas em jornais e revistas.

O imbecil juvenil: relação entre pais e filhos especialmente quando o jovem se apresenta rebelde. Em dado momento ele tenta ser acerto pelo grupo e isso custa caro. Quando se sente desprezado acaba descontando nos pais. "Eis a que se resume a famosa rebeldia do adolescente: amor ao mais forte que o despreza, desprezo pelo mais fraco que o ama."

Tudo começa pelo nosso (brasieliro) desprezo ao conhecimento e a uma reverencia aos seus simbolos exteriores: diplomas, cargos, espaço na mídia

Todas as neuroses, todas as psicoses, todas as mutilações da psique humana se resumem, no fundo, a uma recusa de saber. São uma revolta contra a inteligência. Revoltas contra a inteligência — psicoses, portanto, à sua maneira — são também as ideologias e filosofias que negam ou limitam artificiosamente o poder do conhecimento humano, subordinando-o à autoridade, ao condicionamento social, ao beneplácito do consenso acadêmico, aos fins políticos de um partido, ou, pior ainda, subjugando a inteligência enquanto tal a uma de suas operações ou aspectos, seja a razão, seja o sentimento, seja o interesse prático ou qualquer outra coisa.

...É o julgamento solitário que cria a verdadeira intimidade do homem consigo mesmo e é também ele que criaa distância, o espaço interior no qual as experiências vividas e os  conhecimentos adquiridos são assimilados, aprofundados e personalizados. Sem esse espaço, sem esse “mundo” pessoal conquistado na solidão, o homem é apenas um tubo por onde as informações entram e saem — como os alimentos — transformadas em detritos.

A diferença entre a técnica religiosa e seus sucedâneos modernos é que ela sintetizava, numa mesma vivência dramática, a dor da culpa e a alegria da completa libertação — e isto as “éticas leigas” não podem fazer, justamente porque lhes falta a dimensão do Juízo Final, da confrontação com um destino eterno que, dando a essa experiência uma significação metafísica, elevava o anseio de responsabilidade pessoal às alturas de uma nobreza de alma com o qual as exterioridades da “ética cidadã” não podem nem mesmo sonhar.

Geração Perdida

História de Hyppolite Taine que percebeu se desconhecimentos dos fatos passou a estudar a história francesa e depois de algumas decadas publicou cinco volumes  de ciência histórica que ajudou muitas gerações posteriores. 

Faz um paralelo com a realidade daqui onde todos tem uma opinião sem conhecer de fato o assunto.

Jovens paranaenses

Depois de dar aulas nesse estado , percebeu que eram humildes e tinham interesse genuino em estudar.

Quando jovens tendemos a ter respostas para os problemas do mundo: "sua pretenção arrogante contrasta tão deploravelmente com a sua falta de recursos intelectuais que nenhum educador datado de bom senso se atreveria a lhes ensinar o que quer que fosse.


Desejo de conhecer

Temos desprezo pelo conhecimento e por causa disse acreditamos em coisas ditas a nós sem fazer nunhum tipo de análise, como o cominismo acabou, a esquerda e direita não existem, a Amazonia é o pulmão do mundo,a  Revolução Francesa instaurou a liberdade, a inquisição queimou cem milhoes de hereges.


O poder de conhecer

"experimentai de tudo, e ficai com o que é bom". O aprendizado envolve o erro, a dúvida, a controversia  

Democracia normal e patologica p.96

Sem testemunhas

um homem tem de estar livre de toda fiscalização externa para ter a certeza de que olha para si mesmo e não para um papel social — e só então pode fazer um julgamento totalmente sincero. Somente aquele que é senhor de si é livre — e ninguém é senhor de si se não aguenta nem olhar, sozinho, para dentro de seu próprio coração.

Uma auto crítica deve ser feita na solidão 

A ideia do Juízo Final dado pela visão cristã e outras religioes eva o anseio de responsabilidade pessoal que a ética cidadã não traz. #isso remete ao texto do livro Irmãos Karamazov que se não há Deus,paraaque ter virtude

Vocações e equívocos

A realização superior do homem na vocação é então substituída pela mera busca do emprego, visto apenas como meio de subsistência e sem qualquer importância própria no que diz respeito ao conteúdo. A adaptação conformista a um emprego medíocre e sem futuro é considerado o máximo do realismo, a perfeição da maturidade humana. Tudo o mais é depreciado (e por isto mesmo hipervalorizado e ansiosamente desejado) como “diversão”. Assim, entre o trabalho forçado e a diversão obsessiva (da qual o carnaval é a amostra mais significativa), acumula-se na alma do brasileiro a inveja1 e uma surda revolta contra todos os que levem uma vida grande, brilhante e significativa, sobre os quais, mesmo quando pobres, paira a suspeita de serem usurpadores e ladrões, pelo menos ladrões da sorte. Daí a famosa observação de Tom Jobim: “No Brasil, o sucesso é um insulto pessoal.” Sim, nesse meio não se compreende outra lealdade senão o companheirismo dos fracassados, em torno de uma mesa de bar, despejando cerveja na goela e maledicência no mundo. Este é um país de gente que está no caminho errado, fazendo o que não quer, buscando alívio em entretenimentos pueris e desprezíveis, quando não francamente deprimente

A mensagem de Victor Frankl

A realização superior do homem na vocação é então substituída pela mera busca do emprego, visto apenas como meio de subsistência e sem qualquer importância própria no que diz respeito ao conteúdo. A adaptação conformista a um emprego medíocre e sem futuro é considerado o máximo do realismo, a perfeição da maturidade humana. Tudo o mais é depreciado (e por isto mesmo hipervalorizado e ansiosamente desejado) como “diversão”. Assim, entre o trabalho forçado e a diversão obsessiva (da qual o carnaval é a amostra mais significativa), acumula-se na alma do brasileiro a inveja1 e uma surda revolta contra todos os que levem uma vida grande, brilhante e significativa, sobre os quais, mesmo quando pobres, paira a suspeita de serem usurpadores e ladrões, pelo menos ladrões da sorte. Daí a famosa observação de Tom Jobim: “No Brasil, o sucesso é um insulto pessoal.” Sim, nesse meio não se compreende outra lealdade senão o companheirismo dos fracassados, em torno de uma mesa de bar, despejando cerveja na goela e maledicência no mundo. 


Não foram apenas alguns ministérios de Berlim que inventaram as câmaras de gás de Maidanek, Auschwitz, Treblinka: elas foram preparadas nos escritórios e salas de aula de cientistas e filósofos niilistas, entre os quais se contavam e contam alguns pensadores anglo-saxônicos laureados com o Prêmio Nobel. É que, se a vida humana não passa do insignificante produto acidental de umas moléculas de proteína, pouco importa que um psicopata seja eliminado como inútil e que ao psicopata se acrescentem mais uns quantos povos inferiores: tudo isto não é senão raciocínio lógico e consequente

ASCETAS DO MAL

Enquanto heróis da saga revolucionária, Che Guevara e Osama bin Laden assemelham-se em pelo menos um ponto essencial, no qual sua autoimagem se confunde com sua imagem pública. Quero dizer que algo que eles acreditam piamente de si mesmos coincide com algo que sua plateia acredita piamente a respeito deles. Como todas as vidas de revolucionários modernos, sem exceção, as desses dois compõem-se essencialmente de um autoengano pessoal transfigurado em lenda mundial pelo efeito amplificador da propaganda, seja a propaganda organizada da esquerda militante, seja a propaganda informal da mídia simpática.Este é um país de gente que está no caminho errado, fazendo o que não quer, buscando alívio em entretenimentos pueris e desprezíveis, quando não francamente deprimente

...

E nada de confundi-los, por favor, com o farsante vulgar, o santarrão de opereta. Este é cômico porque nele os traços incompatíveis são mantidos juntos pela solda bem frágil da hipocrisia. No fundo ele tem consciência da suafalsidade e, pego de jeito, pode ser desmascarado perante si mesmo. No herói revolucionário, a mentira existencial tomou por completo o lugar da consciência, numa espécie de sacrifício ascético. A divindade macabra, ante cujo altar se consuma esse sacrifício, responde então ao postulante: ao contrário do mentiroso comum, que se enfraquece pela falsidade da sua posição, o asceta do mal ganha redobrado vigor a cada nova abjuração da verdade, tornando-se, no cume da sua antirrealização espiritual, capaz de projetar hipnoticamente sua imagem sobre as multidões.

Daí uma segunda semelhança: no paroxismo do culto idolátrico, militantes e simpatizantes chegam a ver em seus ídolos presenças divinas ou ao menos proféticas. Expressando uma convicção coletiva bem disseminada hoje em dia, Frei Betto nivelou ostensivamente Che Guevara a Jesus Cristo, e Arnaldo Jabor denominou Osama de Maomé II.

Direto do inferno

O clamor obsessivo dos intelectuais, dos políticos e da mídia pela “supressão das desigualdades” e por uma “sociedade mais justa” pode não produzir, mesmo no longo prazo, nenhum desses dois resultados ou qualquer coisa que se pareça com eles. Mas, de imediato, produz ao menos um resultado infalível: faz as pessoas acreditarem que o predomínio da justiça e do bem depende da sociedade, do Estado, das leis, e não delas próprias. Quanto mais nos indignamos com a “sociedade injusta”, mais os nossos pecados pessoais parecem se dissolver na geral iniquidade e perder toda importância própria.

A fórmula para enlouquecer o mundo

O poeta Stephen Spender, após romper com o Partido Comunista, já havia admitido que o que conduzia os intelectuais ocidentais à paixão por ideologias contrárias à própria liberdade de que desfrutavam era o sentimento de culpa e o desejo de livrar-se dele a baixo preço. A origem dessa culpa reside no fato de que amplas faixas da classe média passaram a desfrutar de lazeres e prazeres praticamente ilimitados, sem ter de arcar com as responsabilidades políticas, militares e religiosas com que a antiga aristocracia pagava o preço moral dos seus desmandos sexuais e etílicos. Num tempo em que a França era o país mais cristão da Europa, Luís XIV tinha nada menos de 28 amantes, mas sua rotina de trabalho era mais pesada que a de qualquer executivo de multinacional, sem contar o fato, tão brilhantemente enfatizado por René Girard,******* de que a função real trazia consigo a obrigação de servir de bode expiatório para os males nacionais: quando a cabeça de Luís XVI rolou em pagamento das dívidas de seu pai e de seu avô, isso não foi uma inovação revolucionária, mas o simples cumprimento de um acordo tácito vigente no cerne mesmo do sistema monárquico. Já na Idade Média, os encargos da defesa territorial incumbiam inteiramente à classe aristocrática: ninguém podia obrigar um camponês ou comerciante a ir para a guerra, mas o nobre que fugisse aos seus deveres bélicos seria instantaneamente executado pelos seus pares. Noblesse oblige: a classe aristocrática era liberada de parte dos rigores morais cristãos na mesma medida em que pagava pela sua liberdade com a permanente oferta da própria vida em sacrifício pelo bem de todos.

Merge???

Tutto è burla nel mondo

Somos um país com o pior ranking de interpretação de textos do mundo.

Parece incrível, mas, num país onde as maiores conquistas da inteligência foram mérito de pés-rapados — um Machado de Assis, um Capistrano de Abreu, um Cruz e Souza, um Farias Brito e tutti quanti —, a cultura continua a ser vista, sobretudo pelos que têm preguiça de adquiri-la, como um bem de consumo reservado às classes superiores, um emblema de chiqueza com que os pedantes humilham os pequeninos. Daí a ambiguidade dos sentimentos que evoca: todos a desejam, mas apenas para usá-la, sem que ela os afete por dentro. A cultura deve permanecer exterior, como uma peruca ou um soutien, que embelezam sem modificar substancialmente a coisa embelezada. Cultura é a capacidade de expressar com requintes de linguagem acadêmica as mesmas opiniões toscas e preferências irracionais que o sujeito já tinha antes de adquiri-la.

Império do fingimento

Teatro da tesouras entre PT e PSDB onde dois partidos de esquerda revezam no poder suportado pela mídia. 

O preço do colaboracionismo

Como a mídia escondeu a relação da esquerda com o foro de São Paulo.

O maior dos perigos

Até a década de 70 ainda havia pluralidade de visões na imprensa. Agora porém o domínio da esquerda tanto pela concentração das mídias quanto a doutrinação dos estudantes, garante um monopólio de ideias. 

Por isso, Daniel Greenfield foi até eufemístico quando, escrevendo no Front Page Magazine19 de David Horowitz, afirmou que a grande mídia é hoje “a maior ameaça à integridade do processo político”. Ela tornou-se, isto sim, uma ameaça à inteligência, à civilização, a toda a espécie humana.

Uma geração de predadores

Desde que me distanciei do Brasil, tenho visto a inteligência dos meus compatriotas cair para níveis que às vezes ameaçam raiar o sub-humano. Não posso medi-la pela produção literária, que veio rareando até tornar-se praticamente inexistente num país que já teve alguns dos melhores escritores do mundo. Meço-a pelas teses universitárias que me chegam, cada vez mais repletas de solecismos e contrassensos grotescos, pelos comentários de jornal, pelos pronunciamentos das chamadas “autoridades” e, de modo geral, pelas discussões públicas. Em todo esse material, o que mais salta aos olhos não é o vazio de ideias, não é a estupidez dos raciocínios, não é nem mesmo a miséria da linguagem; é a incapacidade geral de distinguir entre o essencial e o acessório, o decisivo e o irrelevante. Não há problema, não há tema, não há assunto que, uma vez trazido ao palco — ou picadeiro —, não seja infindavelmente roído pelas beiradas, como se não tivesse um centro, um significado, um sentido em torno do qual articular uma discussão coerente. Cada um que abre a boca quer externar apenas algum sentimento subjetivo deslocado e extemporâneo, exibir bommocismo, angariar simpatias ou votos, como se se tratasse de uma rodada de apresentações pessoais num grupo de psicoterapia e não de uma conversa sensata sobre — digamos — alguma coisa. A coisa, o objeto, o fato, o tema, este, coitado, fica esquecido num canto, como se não existisse, e depois de algum tempo cessa mesmo de existir. A impressão que me sobra é a de que toda a população legente e escrevente está sofrendo de síndrome de déficit de atenção. Ninguém consegue fixar um objeto na mente por dez segundos, a imaginação sai logo voando para os lados e tecendo, embevecida, um rendilhado de frivolidades em torno do nada. Se me perguntarem quais são os problemas essenciais do Brasil, responderei sem a menor dificuldade: 1) A matança de brasileiros, entre 40 e 50 mil por ano. 2) O consumo de drogas, que aumenta mais do que em qualquer país vizinho, e que alguns celerados pretendem aumentar ainda mais mediante a liberação do narcotráfico — o maior prêmio que as Farc poderiam receber por décadas de morticínio. 3) A absoluta ausência de educação num país cujos estudantes tiram sempre os últimos lugares nos testes internacionais, concorrendo com crianças de nações bem mais pobres; num país, mais ainda, onde se aceita como ministro da Educação um sujeito que não aprendeu a soletrar a palavra “cabeçalho” porque jamais teve cabeça, e onde se entende que a maior urgência do sistema escolar é ensinar às crianças as delícias da sodomia — sem dúvida uma solução prática para estudantes e professores, já que o exercício dessa atividade não requer conhecimentos de português, de matemática ou de coisa nenhuma exceto a localização aproximada das partes anatômicas envolvidas. 4) A falta cada vez maior de mão de obra qualificada de nível superior, que tem de ser trazida de fora porque das universidades não vem ninguém alfabetizado. 5) A dívida monstruosa acumulada por um governo criminoso que não se vexa de estrangular as gerações vindouras para conquistar os votos da presente, e que ainda é festejado, por isso, como o salvador da economia nacional. 6) A completa impossibilidade da concorrência democrática num quadro onde governo e oposição se aliaram, com o auxílio da grande mídia e a omissão cúmplice da classe rica, para censurar e proibir qualquer discurso político que defenda os ideais e valores majoritários da população, abomináveis ao paladar da elite.31 7) A debilitação alarmante da soberania nacional, já condenada à morte pela burocracia internacional em ascensão e pelo cerco continental do Foro de São Paulo (aquela entidade que até ontem nem mesmo existia, não é?). 8) A destruição completa da alta cultura, num estado catastrófico de favelização intelectual onde a função de respiradouro para a grande circulação de ideias no mundo, que caberia à classe acadêmica como um todo, é exercida praticamente por um único indivíduo, um último sobrevivente, que em retribuição leva pedradas e cuspidas por todo lado, especialmente dos plagiários e usurpadores que vivem de parasitar o seu trabalho. Se me perguntam a causa desses oito vexames colossais, digo que é a coisa mais óbvia do mundo: quarenta anos atrás, as instituições que se gabam de ser as maiores universidades brasileiras lançaram na praça uma geração de pseudointelectuais morbidamente presunçosos, que na juventude já se pavoneavam de ser “a parcela mais esclarecida da população”. Hoje essas mentes iluminadas dominam tudo — sistema educacional, partidos políticos, burocracia estatal, o diabo —, moldando o país à sua imagem e semelhança. Matança, dívidas, emburrecimento geral, debacle do ensino, é tudo mérito de um reduzido grupo de cérebros de péssima qualidade intoxicados de ideias bestas e vaidade infernal. Dentre todas as gerações de intelectuais brasileiros, a pior, a mais predatória, a mais destrutiva. Se querem saber agora por que os temas fundamentais não podem ser enxergados e discutidos na sua essência, por que as atenções são sempre desviadas para detalhes laterais e por que, em suma, nenhum problema neste país tem solução, a resposta também não é difícil: quem molda os debates públicos, por definição, é a elite dominante, e esta não permite que nada seja discutido exceto nos moldes do seu vocabulário, dos seus interesses, da sua agenda, da sua irresponsabilidade psicótica, da sua ambição megalômana, da sua autoadoração abjeta. Enquanto vocês não perderem o respeito por essa gente, nada de sério se poderá discutir no Brasil.

Gansos que falam

O trabalhador inculto é apegado demais a seus costumes para deixar-se influenciar por novidades. O homem de espírito superior tem aquela intelecção direta e pessoal que prescinde da aprovação grupal e até a despreza. Resta, no meio, a multidão dos escravos da moda: estudantes, jornalistas, pequenos
literatos, fabricantes de discursos partidários — o “proletariado intelectual”, como o chamava Otto Maria Carpeaux. A maior loucura do mundo moderno foi ter feito dessa categoria de pessoas, sob o nome de intelligentzia, a guiadora e mestra de seu destino. Essa gente supremamente verbosa, oca e imbuída do mais elevado conceito de si mesma retribuiu a gentileza criando o fascismo, o nazismo
e o socialismo e matando em um século mais gente do que a soma de todas as tiranias antigas, com terremotos e epidemias de acréscimo.
Todas as civilizações confiaram-se ao guiamento luminoso de uns poucos sábios e ao conservadorismo obstinado dos homens do povo. Só a nossa confiou-se a um exército de tagarelas imbuídos do dever sacrossanto de destruir o que não compreendem. E depois se queixa de que está sendo destruída.
S. Paulo Apóstolo disse que o demônio nos cercaria pela direita e pela esquerda, pela frente e por trás. Significativamente, não disse “por cima” nem “por baixo”. O que nos eleva até Deus ou firma nossos pés no solo está livre do influxo demoníaco. Restam, entre o céu e a terra, as quatro direções horizontais, o “mundo intermediário”, o mezzo del cammin onde os demônios arrastam no seu giro louco as ambições da inteligência vã que se imagina criadora.
A democratização do ensino, abolindo as barreiras econômicas, deveria ter instituído barreiras intelectuais em compensação, para impedir que a descida do padrão social trouxesse, de contrabando, uma queda do nível de consciência. A nova elite de pés-rapados talvez fosse menos numerosa, mas teria superado emmérito e qualidade suas antecessoras. Na verdade, o que se fez foi o contrário: já que o ensino é para todos, por que haveria de ser um ensino de elite? Para qualquer um, basta qualquer coisa. A massa dos neoletrados, lisonjeada até as nuvens, corre às escolas, às livrarias, à mídia, aos teatros e aos cinemas para receber sua ração diária de lixo, que ela imagina superior à educação de um nobre do Renascimento ou de um clérigo do século XIII. Qualquer garoto de escola, incapaz de soletrar, se crê um portador das luzes, por haver nascido depois de Platão. Qualquer cronista de província fala com desprezo das “trevas do passado”.
Entre o homem que sabe e o que não sabe, dizia Montaigne, há mais diferença do que entre um homem e um ganso. Quem quer que tenha algum conhecimento do que foi a educação nos séculos antigos não pode deixar de sentir-se deprimido até as lágrimas ao contemplar hoje a multidão dos gansos que falam. E como falam!
Pois o mais incrível é a facilidade, a desenvoltura com que qualquer um, consciente de não possuir em pessoa determinados conhecimentos, se atribui os méritos deles por algum tipo de participação mística no “espírito da época”, baseado na simples crença de que existem em algum lugar, em alguma
biblioteca, em algum banco de dados. Sim, decerto existem, mas a informação de que existem deveria dar a cada cidadão a medida da sua ignorância. Em vez disso, infunde-lhe o sentimento insano da própria sabedoria. Se não fosse essa falsa certeza, alicerçada no argumentum ad ignorantiam que
proclama inexistente o que o ignorante desconheça, não existiria nenhum “direito alternativo”, nenhuma “teologia da libertação”, nenhum desses monumentos de arrogância imbecil voltados contra tesouros espirituais que, por estar acima da compreensão do intelectualzinho médio, podem ser facilmente negados, desprezados ou usados como bodes expiatórios dos crimes do próprio
intelectualzinho médio. Pois este, hoje, tornou-se inacessível e coriáceo. Cada aula que recebe, cada
livro que lê, cada programa de televisão que o desgraçado assiste o reforça mais ainda na sua certeza louca, ao exaltar a superioridade do “nosso tempo” sem lembrar-lhe que essa superioridade é apenas de registros materiais acumulados, não transmissível por osmose a quem não os decifre pessoalmente. Claro: esse lembrete seria demasiado constrangedor. A consciência dos valores civilizacionais milenares tornou-se o mais inestimável dos bens. Inestimável e quase inacessível. Seu preço é alto demais: a humilhação do filho do século. Os ricos pagam fortunas para não passar por isso. Os pobres, para evitá-lo,derramam o próprio sangue em revoluções inúteis.
Não é a menor das ironias da situação o fato de que, sem deixar de percebê-la por completo, a intelligentzia, em vez de reconhecê-la como obra sua, culpe por ela algum fator econômico-social externo, prometendo coisa melhor para a róxima sociedade, a ser sacada da cartola de algum “direito alternativo” ou “teologia da libertação”. E assim o mal se perpetua, fortalecido pelas promessas de extingui-lo.
Contra essas promessas, resta a pergunta: o que sobrou de oitenta anos de produção escrita da intelligentzia soviética? Nunca houve tantos sábios como naquela república celeste onde os verdureiros tinham diplomas de ph.D. e na qual, profetizava Trótski, cada mecânico de automóveis seria um novo Leonardo Da Vinci. Onde foram parar aquelas toneladas de tratados, de teses acadêmicas, de ensaios magistrais? Nada sobrou. Nem mesmo na China se lê mais essa formidável porcariada. Nem em Cuba. Mas isso não é problema: se a importação de tolices soviéticas acabou, a produção das universidades ocidentais tornou-se autônoma. Não haverá escassez de Negris e Chomskis no mercado.

A engenharia da desordem

Todo mundo sabe que a base eleitoral do ex-presidente Lula, bem como a da sua
sucessora, está nas filas de beneficiários das verbas do Fome Zero. Embora a
origem do programa remonte ao governo FHC, o embrulhão em chefe conseguiu
fundi-lo de tal maneira à imagem da sua pessoa que a multidão dos recebedores
teme que votar contra ele seja matar a galinha dos ovos de ouro.
No começo prometia, em vez disso, lhes arranjar empregos, mas depois se absteve prudentemente de fazê-lo e preferiu, com esperteza de mafioso, reduzi-
los à condição de dependentes crônicos.
O cidadão que sai da miséria para entrar no mercado de trabalho pode
permanecer grato, durante algum tempo, a quem lhe deu essa oportunidade, mas
no correr dos anos acaba percebendo que sua sorte depende do seu próprio
esforço e não de um favor recebido tempos atrás. Já aquele cuja subsistência
provém de favores renovados todos os meses torna-se um puxa-saco compulsivo,
um servidor devoto do “Padim”, um profissional do beija-mão.
O político que faz carreira baseado nesse tipo de programa é, com toda a
evidência, um corruptor em larga escala, que vive da deterioração da
moralidade popular. É impossível que o crescimento do Fome Zero não tenha
nada a ver com o da criminalidade, do consumo de drogas e dos casos de
depressão. Transforme os pobres em mendigos remediados e em poucos anos
você terá criado uma massa de pequenos aproveitadores cínicos, empenhados
em eternizar a condição de dependência e extrair dela proveitos miúdos, mas
crescentes, fazendo do próprio aviltamento um meio de vida.
O assistencialismo estatal vicioso não foi, porém, o único meio usado pela elite
petista para reduzir a sociedade brasileira a um estado de incerteza moral e de
anomia.
Na mesma medida em que se absteve de criar empregos, o sr. Lula também
se esquivou de dar aos pobres qualquer rudimento de educação, por mais mínimo
que fosse, para lhes garantir a longo prazo uma vida mais dotada de sentido.
Durante seus dois mandatos o sistema educacional brasileiro tornou-se um dos
piores do universo, uma fábrica de analfabetos e delinquentes como nunca se viu
no mundo.Ao mesmo tempo, o governo forçava a implantação de novos modelos de
conduta — abortismo, gay zismo, racialismo, ecolatria, laicismo à outrance etc.
—, sabendo perfeitamente que a quebra repentina dos padrões de moralidade
tradicionais produz aquele estado de perplexidade e desorientação, aquela
dissolução dos laços de solidariedade social, que desemboca no indiferentismo
moral, no individualismo egoísta e na criminalidade.
Por fim, à dissolução da capacidade de julgamento moral seguiu-se a da
ordem jurídica: o novo projeto de Código Penal, invertendo a escala de
gravidade dos crimes, consagrando o aborto como direito incondicional,
facilitando a prática da pedofilia, descriminalizando criminosos e criminalizando
cidadãos honestos por dá cá aquela palha, choca de tal modo os hábitos e valores
da população que equivale a um convite aberto à insolência e ao desrespeito.

Só o observador morbidamente ingênuo poderá enxergar nesses fenômenos
um conjunto de erros e fracassos. Seria preciso uma constelação miraculosa de
puras coincidências para que, sistematicamente, todos os erros e fracassos
levassem sempre ao sucesso cada vez maior dos seus autores.
Tudo isso parece loucura, mas é loucura premeditada, racional. É uma obra
de engenharia. Se há uma obviedade jamais desmentida pela experiência, é esta:
a desorganização sistemática da sociedade é o modo mais fácil e rápido de
elevar uma elite militante ao poder absoluto. Para isso não é preciso nem mesmo
suspender as garantias jurídicas formais, implantar uma “ditadura” às claras. Já
faz muitas décadas que a sociologia e a ciência política compreenderam esse
processo nos seus últimos detalhes.
Leiam, por exemplo, o clássico estudo de Karl Mannheim, A estratégia do
grupo nazista.** A fórmula é bem simples: na confusão geral das consciências,
toda discussão racional se torna impossível e então, naturalmente,
espontaneamente, quase imperceptivelmente, o centro decisório se desloca para
as mãos dos mais descarados e cínicos, aos quais o próprio povo, atônito e
inseguro, recorrerá como aos símbolos derradeiros da autoridade e da ordem no
meio do caos. Isso já está acontecendo.

A ascensão dos partidos de esquerda à condição de dominadores exclusivos do
panorama político, praticamente sem oposição, nunca teria sido possível sem o
longo trabalho de destruição da ordem na sociedade e nas almas. Mas também
não teria sido possível se o caos fosse completo. O caos completo só convém a
anarquistas de porão, marginais e oprimidos. Quando a revolução vem de cima,
é essencial que alguns setores da vida social, indispensáveis à manutenção do
poder de governo, sejam preservados no meio da demolição geral.
Os campos escolhidos para permanecer sob o domínio da razão foram,
compreensivelmente, a Receita Federal, o Ministério da Defesa e a economia. A
primeira, a mais indispensável de todas, porque não se faz uma revolução sem
dinheiro, e ninguém jamais chegará a dominar o Estado por dentro se não
consegue fazer com que ele próprio financie a operação. A administração
relativamente sensata dos outros dois campos anestesiou e neutralizou
preventivamente, com eficiência inegável, as duas classes sociais de onde
poderia provir alguma resistência ao regime, como se viu em 1964: os militares e
os empresários. Cachorro mordido de cobra tem medo de linguiça.

Pensando como os revolucionários

...A lógica revolucionária opera sempre com dois objetivos simultâneos e
antagônicos, um declarado e provisório, o outro implícito e constante. O primeiro
é a solução de algum problema social ou de alguma crise. O segundo é a
desorganização sistemática da sociedade e o aumento do poder do grupo
revolucionário.

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